Sinopse
Uma maga, uma guerreira submarina, um corcel encantado e uma corsária são os protagonistas desta história. Unidos por um mesmo objetivo, restabelecer a paz, terão de usar todas as suas forças e todos os seus dons para encontrar o modo de enfrentar um temível feiticeiro que semeou caos e destruição em seus respectivos mundos. Terríveis poderes ocultos da sombra sustentam em segredo o inimigo sem piedade. Só com a ajuda de uma relíquia mágica da bondade, o Escudo de Valnúss, esse bando de amigos poderá tentar desafiar tais maldições.
Com minhas palavras
El Escudo de Valnúss, para além de todas as angústias e de todas as alegrias que escrever um romance traz em si, teve traços muito particulares. Quando tive a história mais ou menos esboçada (costumo pensar muito antes de começar a escrever, até segurar a cabeça e o rabo do que quero contar), me veio uma ideia bastante rara em Cuba.
A Editorial de la Mujer usava um formato especial para os livros de culinária, conselhos domésticos e outras matérias do gênero. Em geral era uma caixinha com cinco livros de umas sessenta páginas cada um. Perguntei-me então por que não usar esse formato para uma história de fantasia. A novidade estaria na embalagem e na apresentação, que ofereciam a possibilidade de fazer outra coisa. Por lógica evidente, era preciso então um romance que coubesse nesse formato. A editora aceitou a ideia, e todos os que participaram trabalharam com disciplina, dedicação e entusiasmo completos.
Valnúss teve, em boa parte, de se escrever em torno de uma restrição que não se podia forçar. Cada história precisava se desdobrar de modo a caber num número de páginas fixado de antemão, já que o formato dos livros e da caixa não podia ser alterado. Texto coral, afinal, com vários protagonistas, a história individual de cada personagem tinha também de sustentar os fios gerais e as relações que a ligavam ao eixo central do romance.
Assim, cada um dos quatro primeiros livros contava as aventuras de um dos personagens, e o quinto conduzia à resolução do conflito do conjunto, que se desenrolara em paralelo. Minha formação de jornalista ajudou muito. Eu simplesmente sabia de antemão que tinha umas quarenta laudas para contar cada história, e foi o que fiz. Acho também que saiu sem enchimento inútil, e sem a pressa que teria deformado os personagens, retido informações ou encurtado suas aventuras.
Foi assim que nasceram Zoyla Zilad de Valnúss, Sedna Laiacor, Ira Dulamer e Azor de Versil. No desfecho, as tramas principais também se resolviam, com uma exceção, guardada para outro romance possível, de cenários e personagens semelhantes (mas diferentes, muito mais adiante: nada de continuações).
El Escudo de Valnúss também se vendeu bem, felizmente, embora sua tiragem fosse menor (parece-me lembrar de três ou cinco mil exemplares de cada caixa. Ainda assim era um grande esforço: lembremos que cada caixa continha cinco livros, portanto capas, composição e impressão separadas para cada um, além da própria caixa). O formato funcionou às mil maravilhas. A impressão das capas e o projeto de Rainel Cabarroi saíram bem, dadas as condições sempre limitadas do nosso país. O resultado era um belo objeto, original, e uma história, acho, tão atraente quanto sua apresentação. Creio poder dizer que nenhum outro romance de fantasia em Cuba foi escrito e impresso dessa forma.
Os demônios do descuido, porém, fizeram a sua parte. Em certos lugares, alguém não se deu ao trabalho de encaixotar os livros, como se diz no ofício. E houve lugares (eu vi, fui testemunha) onde os cinco livros, cada um dos quais começa e termina em si mesmo mas que juntos formam um todo impossível de seguir se não se leem as cinco histórias, foram vendidos separadamente. Sem ler todas, não há como entender o romance por inteiro. Suponho, então, que restem leitores que ou não entenderam nada depois de ler um, dois ou três isolados, ou julgam com severidade o horrível escritor capaz de publicar um texto com tantos fios soltos, e que nunca termina.
Diante disso, a única coisa que eu podia fazer, e fiz em entrevistas e nas passagens ocasionais pela imprensa, era insistir: eram cinco livros mas um só romance. É incrível que iniciativas para melhorar a leitura e torná-la mais atraente acabem encalhadas na preguiça e na indiferença de alguns. Espero um dia repetir a experiência, para que esses possíveis leitores que ficaram no limbo possam saber como o romance termina. Talvez então julguem o escritor com mais clemência.
ALS
La magia de la aurora
Com seu verdadeiro sexo escondido sob roupas de homem, Zoria Zylad de Valnúss precisa enfrentar as proibições do templo de Adar para desenvolver seus poderes de maga. Mas, apesar da ajuda do pai e das amizades preciosas que encontra pelo caminho, um futuro terrível se fecha sobre a Terra de Reul. O mal está prestes a se desencadear, e as intenções reais de um inimigo funesto, o poderoso feiticeiro Soltrán Sauort, vão vir à tona.
Trechos
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Capítulo IV
Un marino, que esperaba pacientemente junto a la salida del camarote, le hizo un gesto a la maga. Sin mostrar sumisión, pero con los ojos posados en el piso en expresión de absoluto respeto, el hombre la guió a través de un estrecho corredor, oloroso a madera y a salitre. Bajo la cubierta del castillo de popa había unas cuantas habitaciones. Al fin, tras cruzar varios pasillos, el marino se detuvo, le señaló una entrada y se esfumó, silencioso.
La muchacha tocó levemente y una voz la invitó a pasar. El salón era de seguro el último de los espacios en esa zona del barco. Una larga pared, con tres enormes ventanales, era la primera vista al entrar al amplio recinto. Dos lámparas en el techo, iguales a la que viera en su habitación, se encargaban de la luz en horas nocturnas. Ahora mismo, una claridad a raudales se adentraba desde el exterior. Un mar de vistoso azul, que de vez en vez exhibía algunos refulgentes burbujeos, se perdía hacia el horizonte, amenazando hipnotizar con su esplendor.
Las cortinas aquí solo ocupaban las ventanas. El resto de las paredes exhibía diversos tapices, con escenas de combates y batallas. Por todo mobiliario, una larga, robusta y muy baja mesa, presidía el centro del lugar. Un mantel de impoluto blanco cubría todo el tablero y se dejaba caer por los bordes, como la espuma de una catarata. Alrededor, sobre una enorme alfombra tejida en delicado mimbre, una miríada de cojines invitaba a sentarse. Varios platos que exhibían frutas y bocadillos ligeros, además de algunas botellas y copas, estaban servidos con notable gusto.
Sin embargo, los rostros de los anfitriones desmentían cualquier posible festejo. En una esquina, el caballo lucía ahora más grande y majestuoso, a pesar de estar echado junto a la mesa. Su verde mirada seguía despacio a la recién llegada. A su lado, la capitana parecía ahora menos impaciente, aunque sus ojos tenían la misma irreconciliable dureza y feroz brillo de antes. La otra, a pesar de la banda marrón encima de sus párpados, sonreía y jugaba con una hermosa fruta roja en una de sus manos. Sus aguzados sentidos ya le habían hecho saber de la presencia de la maga. Con cada movimiento, las minúsculas escamas de su piel brillaban o se oscurecían en diversos matices granas. El caballo, con voz grave, rompió el pesado silencio.
–Pasa, querida Zoria, te esperábamos.
La muchacha avanzó y ocupó uno de los cojines, de frente a la capitana. La mesa era ancha, mas parecía que los relámpagos que brotaban de las pupilas de la enérgica corsaria la quemarían de un momento a otro. Ella misma tomó la iniciativa. A pesar del torrente que semejaba todo su ser, su voz fluyó con absoluta calma y educado tono.
–Zoria Zylad de Valnúss, quiero pedirte disculpas por mi comportamiento de antes. Te reitero que eres bienvenida. Seguro tienes muchas cosas que deseas saber. Es muy posible que, entre todos, encontremos ahora algunas respuestas muy importantes. Por razones que pronto te diremos, es necesario que nos contestes antes algunas preguntas. ¿Estás de acuerdo?
–Solo díganme algo… ¿Dónde me encuentro, exactamente?
–Estás a bordo de mi barco, el Salgari. Navegamos por el Mar del Tigre, con rumbo a las costas montañosas de Fe Mondalia –enumeró concisa la capitana y agregó en voz baja, como si no quisiera dejar brotar cualquier sentimiento de debilidad o de pena en sus palabras–. Y creemos que hace casi un año saliste de tu tierra, pues ese es más o menos el período en que te hemos estado buscando…
Zoria se alarmó, mas de inmediato se llamó a la cordura. No recordaba nada después de los últimos momentos en el templo, salvo un amasijo de sensaciones confusas. Si había trascurrido tanto tiempo en verdad, era un pésimo augurio. Posiblemente nadie quedaba de los suyos. ¿Cómo habría sobrevivido ella? Un pensamiento, casi un consuelo, con la consistencia de una ola blanda y tibia, pareció envolver su mente. Un claro pedido de calma y de apoyo irrumpió en su cerebro. Al levantar los ojos, notó que el rostro cubierto por la venda le trasmitía fuerzas, aun sin decir nada.
–Es lógico que estés confundida, pronto aclararemos todo –el caballo hizo una breve pausa y al instante retomó la idea–. Ante todo, necesitamos saber con urgencia si sabes de algún otro amuleto, además del Elum de tu padre, del que haya podido apoderarse Soltrán…
El nombre la estremeció como una bofetada. Soltrán Sauort. El ambicioso hechicero que intentó hacerse de un poder inmenso, a costa de la traición a los suyos y de aplastar y torcer por la fuerza varias eras de equilibrio. El que había destruido su mundo y quién sabe cuántos otros. Sin embargo, una segunda pregunta surgió enseguida. ¿Cómo podría saber eso este corcel?
Un brote de cólera, dolor y tristeza intentó subir desde su pecho y le interrumpió la reflexión. Haciendo acopio de todas sus fuerzas, Zoria lo ahogó con esfuerzo sobrehumano. Por entre los tejidos cordones que servían para enlazar el triángulo invertido de su escote, su mano tomó el pequeño talismán que colgaba de su cuello y lo mostró fuera de la blusa.
–Salvo este, no hay ya ningún otro amuleto del País de Reul. Mi padre me lo pudo entregar cuando… –el brote subió con fuerza, y casi la obligó a callar. No obstante, pronto se repuso–. Los Doce Magos del Adar, quiero decir, los once que no traicionaron, lograron impedir que cualquier otro talismán cayera en manos del mal.
Un leve pero perceptible suspiro de alivio brotó al unísono de los ánimos de la capitana y del caballo. La otra mujer se mantuvo tranquila, aunque Zoria pudo sentir que la paz la invadía. El corcel miró curioso la joya.
–Esa es una muy buena noticia… Más adelante hablaremos de eso. Bien, tenemos mucho de qué conversar y ya no es necesario tanto apuro. Entonces, recordemos un poco las buenas maneras, que no es apropiado el momento que vivimos, mas tampoco debemos dejarnos atrapar por la mala educación. Incluso, eso le da ventajas a la sombra –apuntó el de la mirada esmeralda y se puso de pie. Las crines, como largas orlas de un blanco purísimo, ondearon un instante sobre su cabeza.
–Yo soy Azor de Versil, el último heredero del trono de Equianna, mi mundo. Fuimos atacados y saqueados por Soltrán. No he tenido más noticias de mi familia y mi reino, pues después de pelear contra ese brujo, vine a dar a estas tierras. Nos acompaña Sedna Laiacor, una guerrera nativa de Aglas, la ciudad submarina del País de Verne. No puede ver ni hablar fuera del agua, aunque ya habrás notado que no tiene ningún problema en comunicarse, ni en nada más…
La pausa levemente risueña del caballo fue de inmediato correspondida por la guerrera vernara. Una hermosa sonrisa hizo enrojecer un poco las escamas de su piel y un sentimiento de aceptación y camaradería envolvió a la maga. De seguro, como ahora le revelara Azor, los demás también podían percibir cada emanación de la singular criatura subacuática.
–Y esta es la capitana del Salgari… Me parece mejor que se presente ella misma –concluyó y regresó a su puesto en la esquina de la mesa.
La marinera tomó la palabra.
–Mi nombre es Ira Dulamer. Vengo de un poblado pequeño, un puerto llamado Laripse, en las Islas de Rojas, en el Mar Urtor –enumeró, otra vez concisa, y calló por completo.
La maga pensó que debía también hacer una presentación algo más formal. De todos modos, aunque sus anfitriones le habían anunciado el deseo de hacerle varias preguntas, ella también necesitaba saber.
–Pues, ya saben ustedes mi nombre, y al parecer algunas cosas más que yo ignoro. Por ejemplo, ¿cómo he venido a parar aquí, dónde estuve, y cómo me he curado de mis heridas? ¿Qué pasó con mi país? ¿Dónde está Soltrán y qué ha hecho en este tiempo?
Un silencio pesado se apoderó de la habitación. Como obedeciendo a un llamado, Zoria miró hacia Sedna Laiacor. Al instante unas monstruosas imágenes se formaron en su cabeza. Una legión de horribles bestias marinas destrozaba varios parajes. Un sinnúmero de guerreras luchaba sin tregua, pero poco a poco caían derrotadas, y la plaza cedía terreno, no sin grande resistencia. Al final, llamaradas de lava, explosiones que movían gigantescas trombas líquidas y estampidas brotadas de un fondo humeante y ya nunca más acogedor y hospitalario, sepultaban las ciudades de Aglas y Verne en los abismos marinos. El reino de Verne, un mundo que por eras vivió en paz, desaparecía en el mar, mientras sus habitantes huían despavoridos. El rostro de Soltrán Sauort parecía llover desde todas partes, como la viva encarnación de todas las desgracias.
La capitana se puso de pie y caminó hasta uno de los ventanales. Sin volverse, como si el mar pudiera llevarla al mismo sitio de sus pensamientos y recuerdos, hizo su historia.
–Mi país está formado por varias islas, donde vivía un grupo de diferentes clanes. Islas de Rojas es su nombre. Fue tomado hace tiempo por las fuerzas oscuras. El líder de uno de los dominios, el más poderoso, Gad Nitsau, se dejó engañar por Sauort. Intentó conquistar todo el archipiélago y proclamó su superioridad divina, por medio de engaños, del terror y de la magia que ese brujo le mostró. Nos discriminaron y nos esclavizaron. Nos trataron de inútiles e inferiores, por no ser de la raza de su clan y porque, además, allí vivían los ancianos que ya descansaban en espera del final de sus vidas. Después apresaron a aquellos guerreros que tenían hijas y no hijos que sirvieran para la guerra. Así pasó con todas las islas. Las sojuzgó y condenó a sus habitantes por los más absurdos y crueles motivos. Mi padre, aunque ya era un hombre viejo, se convirtió en el líder de una rebelión y organizó una revuelta, con la ayuda de varios marinos y mucha gente de todos los lugares de Rojas. Peleamos con valor, mas la represión siempre ha sido muy feroz. Al final, ese demonio de Soltrán apareció y nos causó mucho daño. Mi historia termina en este barco, tras del brujo, pues algo le interesa en donde quiera que haya mar. Hace mucho que no sé nada de mi tierra, ni de la marcha de nuestra rebelión…
La capitana había regresado de la ventana y miraba fijamente a la maga. El caballo sacudió la cabeza y sus ojos grandes y verdes enviaron un mensaje a Ira, que calló de nuevo. Entonces Azor volvió a hablar.
–Escucha, Zoria. Tal vez no lo sepas, pero Sauort engañó incluso a los magos que regían en tu tierra. Llevaba muchos años fraguando sus planes y en ese tiempo logró prepararse para sojuzgar nuestras naciones. Cuando se sintió lo suficientemente fuerte, entonces atacó a los tuyos. Sabemos que peleaste contra él en el templo Adar. Pero justo ahí quizás están algunas de las respuestas que ahora necesitamos. Soltrán es un muy poderoso hechicero y no pudo derrotarte. Está en busca de uno de los más poderosos talismanes del mal que hayan existido jamás. Y también quiere el Escudo de Valnúss. Necesitamos saber dónde está y para qué lo quiere…
La maga pestañeó asombrada. Azor sabía mucho. Era evidente que entendía de magia. Hasta hacía muy poco tiempo… En verdad, hasta el tiempo inmediatamente anterior que Zoria recordaba, desconocía por completo la existencia y todo lo concerniente a dicho objeto. Aunque, sea justo decirlo, no lo ignoraba, sino que sus menciones se atribuían a las leyendas.
De niña, su madre le había contado todas las versiones acerca del origen, el uso y el poder del Escudo de Valnúss. Una reliquia hecha con alma, carne y poder de los dioses del bien. Una fuerza inconmensurable, aunque intangible, como cualquier otro mito. Sin embargo, su propio padre, ya herido de muerte, le confirmó la historia. El Escudo de Valnúss existía en realidad. Y quizás, era mucho más importante que lo que todas sus leyendas podían anunciar.
–¿Cómo sabes todo eso? Hasta hace muy poco, yo misma ignoraba todo acerca de ese tema…
El caballo desplegó los belfos en algo parecido a una sonrisa.
–Es largo de contar… Con mucho gusto te diré todo lo que sé. De todas formas, en respeto a nuestro derecho de anfitriones, quisiera pedirte, por favor, que tú nos relates primero tu historia.
–Acepto –respondió la muchacha y por primera vez sonrió. La amabilidad de Azor la hacía sentirse segura. La maga se acomodó en su cojín, bebió un breve sorbo de licor, y se dispuso a hablar–. Escuchen…
El rojo del mar
Nascida na cidade submersa de Aglas, filha de uma ordenhadora de baleias de leite, Sedna Laiacor, mulher de caráter, ignora preconceitos e costumes e encara desafios enormes para realizar seu maior sonho. Mas as provas duras e cruéis que levam ao corpo de elite do exército, as cem guerreiras Gilara que guardam as cidades da Terra de Verne, não serão o único perigo que terá de enfrentar.
Trechos
Capítulo IV
–Tienes que pensar en tu futuro. Pronto llegarás a los quince años y deberás escoger tus ocupaciones para el mañana –regañó la vieja vernara.
La escena, repetida hasta la saciedad en todas las historias, dimensiones y mundos posibles, tenía otro capítulo en Aglas. Una madre y su hija adolescente sostenían una importante conversación. Pero un detalle quizás hacía diferente este diálogo. En la ciudad sumergida, la llegada de los quince años, momento en el cual las vernaras estaban completamente crecidas y desarrolladas, y eran ya capaces de reproducirse, marcaba la adultez y la independencia. Conforme a la costumbre, las chicas debían adoptar una labor y asumir todos los demás deberes de una adulta para con la dura vida de la villa. Al llegar las Arenas del Verano, como llamaban en el País de Verne a las épocas donde se unían para procrear, ya podían ir hasta la superficie en busca de pareja.
Si no eran capaces de escoger una tarea, según las leyes de las Consejeras, eran enviadas, por cinco años, a realizar trabajos a favor de sus conciudadanas, bajo la supervisión directa del ejército. Por supuesto, esta suerte de castigo constituía un gran deshonor, una muestra de inmadurez e inconsciencia. Las pocas vernaras que no se decidían a nada y terminaban ubicadas en tales comunas, eran bastante mal vistas.
Irbah, la atribulada madre, miraba a su hija y esperaba con paciencia una respuesta. No era una mala muchacha, lo tenía muy claro su progenitora. Un poco más callada que lo normal, algo ida y soñadora a veces. ¿Pero qué joven no se extasía con mil ensoñaciones y viaja muy lejos durante larguísimos silencios, ánimos cambiantes e inexplicables tristezas? La vieja vernara lo sabía. De hecho, todavía recordaba su llegada a la adultez. Pero el momento de decidir qué hacer con la vida futura siempre era un tanto complicado. Una decisión seria, que no admitía embelesos.
Por eso se sorprendió sobremanera cuando escuchó hablar a su hija. En la piel, resplandecía ese rojo de tonos entre llamaradas y cielos violáceos que le recorría las escamas cuando había tomado alguna determinación. Cuando el voluntarioso y persistente carácter de la chica marcaba el rumbo a seguir. Esas decisiones, lo sabía bien su madre, siempre eran llevadas hasta las últimas consecuencias.
–Voy a ser una Gilara –afirmó Sedna y la miró a los ojos.
–¡Ahora sí te has vuelto loca! ¿De dónde has sacado eso?
–Las he visto y me gusta lo que hacen. Es bueno mantener a salvo a todas, cuidar la ciudad y a los de arriba. Tú misma me enseñaste que se arriesgan constantemente por nosotras y que les debemos mucho respeto por eso. Además, no pienso pasarme la vida pastoreando y ordeñando ballenas lácteas. En cuanto llegue a mi adultez y haya un llamado de Las Cien, me voy a presentar. Si no lo consigo, de seguro obtendré algún puesto en el ejército… Pero voy a lograrlo… –y el resuelto brillo le recorrió otra vez la piel.
¿Cuándo su hija pequeña se volvió esta indomable mujer con ansias de guerrera? Irbah la miró de hito en hito. En verdad, ser una Gilara era casi el sueño de toda vernara. Sin embargo, no todas podían ser combatientes.
–¿Y se puede sabe que hay de malo en ordeñar ballenas lácteas?
Sedna sonrió y miró a su madre. Sabía desde hacía un tiempo que esta conversación llegaría inevitablemente. Alzó los ojos, del mismo tono violáceo intenso que tomaba su piel en algunos lugares, y encaró la ya anciana aunque todavía firme y vivaz mirada materna.
–Nada malo, sobre todo porque nos ha dado de comer todos estos años. De hecho, me alegra mucho haber aprendido a hacerlo junto contigo. Son los mejores recuerdos que tendré. Pero no quiero pasar toda mi vida en ello.
La mujer hizo un breve silencio. Frente a aquellos ojos, su mente había ido rápidamente muy atrás. En un instante había recordado a una Sedna pequeña, ágil y delgada como un renacuajo rojizo y con una maraña de algas desplegadas desde sus cabellos, nadando sin temor alrededor de un rebaño de enormes ballenas. Una vez más, como tantas veces, rememoró la imagen de la chica enlazando con sólidas cuerdas los descomunales animales.
La ciudad de Aglas tenía un método muy singular para obtener la leche. Ciertas ballenas, venidas de muy lejanos mares, parían en un sitio cercano a las costas de Verne. Sin embargo, estos gigantes cetáceos practicaban una costumbre dictada por la supervivencia. Cuando traían al mundo las crías, si el parto era de dos, invariablemente abandonaban una.
Para protegerse de los bokartos, las ballenas vivían en sitios lejanos, entre grandes montes sumergidos. Pero en estos lugares, inaccesibles para sus depredadores de siempre, no abundaban las plantas de las que se alimentaban. Por ese motivo, cuando tenían más de un ballenato, abandonaban a su suerte al más débil. En caso contrario, toda madre sabía que no podría mantener vivo, alimentado y protegido, a ninguno de los dos. Con una práctica basada en la más cruda ley de vida, la ballena se marchaba con la descendencia más fuerte.
Era común, además, que las crías abandonadas fueran hembras, pues era este el sexo de la mayoría de las recién nacidas. Como un solo espécimen masculino podía fecundar a muchas, los nacimientos de machos eran muy poco frecuentes. Y si en un parto doble se daba el extraño caso de que naciera una pareja, siempre era la hembra la que quedaba atrás.
Por años, las guerreras capturaron estas crías. Las alimentaban, protegían y luego obtenían leche de ellas. Con paciencia y cuidados, ya que se trataba de una especie con vida muy larga, la ciudad había logrado rebaños enteros que proveían a Aglas y a la superficie. No comían sus carnes, pues las vernaras no cazaban ni mataban pez alguno, incluso en cautiverio. Más bien, se alimentaban de sus extensos sembradíos de mariscos, algas y de otras especies marinas que cultivaban.
Irbah, la madre de Sedna, era ordeñadora. Una labor que requería, además de valor y destreza, de especiales habilidades para el nado. Las ballenas eran mantenidas en gigantescos estanques, casi siempre dentro de cuevas coralinas, para que estuvieran a salvo de los bokartos.
Así pues, el ordeño era un trabajo duro y arriesgado. Los enormes peces eran muy asustadizos y cualquier ataque de pánico podía provocar furiosas estampidas, que pronto se extendían a todo el rebaño. Cualquiera de estos estallidos podía dar al traste con la vida de la ordeñadora. Había que llegar a la ballena sin que esta lo notara, nadar justo bajo su garganta y pegar allí un pez sueño. Esta era una extraña especie parásita, una bola flotante sin aletas, con un par de largas ventosas, que al pegarse en un huésped le inyectaba una sustancia venenosa. Por supuesto, dado el gran tamaño de los cetáceos, el líquido apenas provocaba una agradable somnolencia, de pocos minutos, que nunca dañaba al animal. En ese tiempo había que nadar hasta su vientre y proceder al ordeño, el cual se ejecutaba igual que con cualquier otra hembra bovina o vacuna. Solo que en lugar de banquitos y recipientes metálicos, las vernaras usaban unas enormes sacas hechas de una resina traslúcida, flexible y muy resistente. Las estrechas y pegajosas bocas de las bolsas se pegaban a las mamas de la ballena. Por sobre esta cubierta se ejecutaba a mano el ordeño, y luego se cerraba con rapidez la abertura, en tanto se despegaba, sin permitir que el agua salada se mezclara con la leche recién obtenida.
La madre se sorprendió sonriendo, mientras los recuerdos pasaban por su mente. Otra vez observó a su hija. ¿Cuándo este pececito se hizo grande y ya amenazaba con tomar sus propias decisiones? ¿Podría enfrentar las duras jornadas de pruebas para ingresar al grupo más elitista y potente de todo el ejército? ¿Podría pertenecer a solo cien elegidas entre miles de guerreras? Quizás. Ella mejor que nadie sabía las habilidades de la chica. Su voluntad. Su firmeza cuando deseaba conquistar una meta. Pero había otras razones, como duros escollos, quizás más poderosas que todos los deseos.
–Sedna, ninguna vernara de nuestra sangre ha sido nunca ni siquiera del ejército. Ya sabes lo que dicen de las escamas rojas. No seas una soñadora como tu padre…
–Sí, sé lo que dicen, y odio esa estúpida frase. Escamas rojas para el verde… Escamas rojas para el blanco –silabeó con voz molesta, mientras el color causante de sus supuestas limitaciones relampagueaba en su propia piel al recordar el reiterado prejuicio–. Sobre mi padre, bueno, solo debo decirte que tú misma lo escogiste. Y más de una vez, según me has contado. Así que no te desagradan tanto los soñadores…
No se prohibía a ninguna chica en Aglas intentar ser Gilara o guerrera. Pero por eras, y por razones más ligadas ya a las costumbres que a verdaderos argumentos, las muchachas de tonos rojos en la piel siempre habían sido menospreciadas y las muy pocas que lo intentaban, de alguna u otra manera, quedaban en el camino. Aun cuando no había miseria o pobreza en la ciudad sumergida, todas las militares y en especial las del grupo de Las Cien, eran de escamas azules. Y en mayoría, de familias cercanas a las Consejeras y con posiciones más holgadas que las de las rojas campesinas, ordeñadoras y otras trabajadoras.
Para una vernara como Sedna, parecía un sueño inalcanzable romper tales prejuicios. De ahí su odio a la frase. Rojo para el verde de los cultivos de alimentos, pastos y especies comestibles. Rojo para el blanco de las barrigas de las ballenas y de la leche. Rojo para no aspirar. Como un mandato inviolable. Como algo que ya se estaba volviendo casi obligatorio.
Del padre de Sedna no había mucho más que decir que no fuera sabido por la entonces joven Irbah. Para todos, aquel discreto y callado vernaro había muerto asesinado por una incursión de un grupo invasor en la superficie. En verdad, su padre había sido uno de los primeros misioneros reclutados por el Adar, muerto en la misión de crear mejores condiciones defensivas en Verne, para luego, con ayuda de la magia del templo, mejorar más la vida de aquellas difíciles regiones.
La madre siempre estuvo consciente de que él no era un hombre común. Y aunque luego conoció de sus objetivos, no divulgó nunca su secreto. A pesar de haberse visto por tres años seguidos en las Arenas del Verano, fue en la última ocasión cuando engendraron a Sedna. Unos pocos días después del encuentro, el futuro papá moría en un desigual combate contra enemigos del templo. Algo de aquella sangre rebelde y decidida seguro despertaba ahora en la muchacha. La misma rebeldía que la hizo pararse y encarar a Irbah.
–¿Tú sabes, madre? De niña alguna vez odié lo que hacías. Ahora sé que ser ordeñadora de ballenas, o cultivar los alimentos, o cualquier otro trabajo, es tan importante, o quizás mucho más, que combatir. Es verdad que el ejército nos cuida y que protege la ciudad. Hacen mucha falta, sí, pero no por eso son mejores que nosotras. Me gustaría ver a dos o tres de esas entorchadas pegando una saca a una ballena. También la comida y la leche hacen falta. Sin embargo, me mortifica mucho la creencia de que haya un designio superior, un mandato, que no permite que yo pueda ser lo que quiera, sea roja o sea azul. Por ejercer mi libertad de ser lo que escoja, y de lograrlo por mis fuerzas, es que voy a combatir contra esa idea. ¡Y te aseguro que después de mí, van a tener que borrar esa maldita frase idiota!
Un fuego a toda vela
A capitã Ira Dulamer não vai desistir de combater os inimigos que desprezam sua família e sua terra. As Ilhas de Rojas também precisam resistir ao terrível assalto do mal e da sombra. Intrépida até o excesso, a valente corsária segue os passos do pai, um velho marinheiro, e faz de seu formidável navio um aliado do bem e um pesadelo para seus rivais.
Trechos
Capítulo IV
Ira sacó despacio la cabeza del agua y miró a su alrededor. El buque enemigo ya estaba muy cerca. A pesar de la noche, el buen número de puntos oscuros que emergieron con sumo cuidado le reveló la presencia de sus hombres. El silencio, más lo estudiado y lento de sus movimientos, los tornaban casi invisibles. Era menester andar con total sigilo. Si todo funcionaba como habían previsto, la lucha en la embarcación sería contra una guardia reforzada, poderosa y que, a pesar de que quizás ahora estuviera tranquila o hasta amodorrada, entraría en combate al menor disturbio. El factor sorpresa era el as que se iban a jugar los asaltantes.
La muchacha sintió un quedo chasquido a su lado y de inmediato, a pesar de la completa oscuridad que los rodeaba, reconoció los brillos morados de la desordenada pelambre de su segundo al mando y la palidez de su piel. Nacido en Cima, y aun cuando tuviera las indelebles marcas físicas de sus clanes, Zeñay de Mera, más que su segundo y hombre de total confianza, era uno de sus mejores amigos. Ahora, otra vez la seguía en una acción casi suicida. Despacio, sin que se sintiera apenas el largo halón de aire que hizo después de emerger una larga zambullida, se acercó a su compañera y capitana.
–¿Qué hacemos? –susurró el muchacho en tono muy bajo.
–Lo que planeamos –contestó ella de igual modo y remató–, y no hables más nada, solo sígueme…
Nadando bajo la superficie llegaron junto al casco. Era una nave de buen porte. El barco líder de la escuadra que ahora cabeceaba tranquila en la bahía de Rauni, una de las islas del País de Rojas. Aún así, no era tan grande como los enormes galeones reales, erizados de soldados y armas, que últimamente usaban los convoyes de Cima para acompañar sus flotas comerciales. Sin embargo, con sus tres palos y su innegable aire marinero, a pesar de las velas arriadas y aunque pareciera un tranquilo animal dormido al hallarse fondeado en total calma, ofrecía un aspecto formidable. No habían pasado inadvertidas a los ojos conocedores de Ira, las largas hileras de catapultas de mar en sus dos cubiertas de guerra. Las temibles piezas artilleras se asomaban a las portas abiertas, como listas para disparar. Contra semejante avispero, vérselas en combate de seguro sería un buen aprieto. Ocuparlo, robarlo de las narices del enemigo, atacarlos luego con una de sus propias armas, sería un toque maestro. ¡Cuántas cosas podrían hacerse con un barco poderoso y bien dotado como este! No obstante, si bien la nave resultaba una presa muy codiciable, era otro el objetivo del audaz golpe que intentaban.
La muchacha, bajo protestas y hasta amenazas de castigos de su padre, había escapado, primero un par, luego muchas veces, del tranquilo campamento en la isla Neobor, donde estaba la retaguardia del grupo que articulaba Nomara. Con la compañía de un piquete de jóvenes intrépidos, deseosos también de combatir al tirano, empezaron a hacer pequeñas incursiones. Al principio, sin tener una embarcación, tenían que conformarse con vigilar el paso de los convoyes enemigos y dar alguna que otra alarma. Y ofrecerse constantemente para que los tuvieran en cuenta en los planes de asalto a algún puerto o en una expedición a otra isla.
Pero en una ocasión, un grupo de soldados desembarcó en la isla para abastecerse de agua. En una embestida feroz, como si aquella partida de muchachos se jugara todo el futuro en aquel ataque, derrotaron a los militares y les ocuparon un pequeño velero. Era un simple enlace, de pocos tripulantes y un solo palo, que llevaba órdenes y el correo a una de las islas. Ese fue el comienzo.
En apenas unas semanas, el grupo había tomado ya varios barcos. Uno
de ellos, una goleta, ligera aunque bien provista de catapultas de mar, que lograron tomar en un descabellado y exitoso abordaje, se convertiría en un temido azote en los mares cercanos a Neobor. Y a la vez, sería la nave líder de la pequeña pero ya aterradora escuadra que habían armado aquellos jóvenes en muy poco tiempo.
En cada una de esas acciones, Ira, que además de diestra resultó ser una corajuda y arrojada peleadora, fue ganando méritos en el grupo. Las otras dos muchachas que habían empezado junto con ella, previa aprobación del marino al mando de la mínima tropa, habían resultado muertas sucesivamente en los dos primeros combates. Al fin, ante la evidencia de que ya nada podría detenerla, su padre autorizó aquellas arriesgadas incursiones, y además de pedirles mesura, le fue encargando al grupo diversas tareas en la rebelión que comandaba. Pronto a la chica le fue designada una pequeña tripulación y el mando de una de las embarcaciones que habían arrebatado al enemigo.
Sin embargo, los rápidos éxitos llevaron a los muchachos a subestimar un tanto a sus enemigos. Un día, mientras con tres naves rebeldes navegaban cerca de una de las rutas principales que enlazaban esta zona del archipiélago con la capital, divisaron un galeón enorme, cargado de quién sabe cuántas riquezas y suministros. En realidad, los barcos de los conjurados, entre ellos el de Ira, se dirigían a otro punto con una misión de Nomara. Era necesario recoger y trasladar un grupo que ejecutaría un asalto a un importante puesto de mando en una de las islas. El joven líder de la flotilla, un valiente pero todavía inexperto chiquillo, saboreando de antemano las mieles de un seguro triunfo, decidió desobedecer las órdenes que llevaba.
El ataque fue desastroso. Ignorantes, los rebeldes se acercaron confiados al galeón. Las catapultas de mar que este cargaba en tres cubiertas, con espantosa eficacia, pronto se encargaron de incendiar y agujerear con sus disparos dos de los barquichuelos. Las flechas y lanzas de los soldados también causaron fuertes estragos en las tripulaciones asaltantes cuando intentaron acercarse para ejecutar el abordaje.
A duras penas, luego de que su embarcación se incendiara y se fuera a pique, Ira logró nadar con algunos de sus hombres, unos pocos sobrevivientes, hasta la tercera nave. Muertos los dos capitanes, uno ahogado y otro de un flechazo, la muchacha era la oficial de mayor rango que quedaba en pie. Al mando de la goleta, solo las bien ejecutadas maniobras, y un oportuno viento, ayudaron a escapar. El pesado galeón pronto abandonaría el intento de perseguirlos.
Después de esa experiencia, Ira juró que ella jamás cometería una desobediencia a sus mandos. Ese día descubrió, de la manera más terrible, que en una guerra las improvisaciones, el irrespeto a las órdenes y los planes, no se pagaban con recibir algún regaño o con un castigo de su padre. Cada desliz costaba las vidas valiosas de aquellos a quienes comandaba.
Desde entonces, una férrea disciplina reinaba en sus predios y entre los tripulantes bajo su mando. No pasó mucho tiempo para que, despacio, en escalonados asaltos, audaces expediciones y bien logrados abordajes, pudieran reunir una nueva flotilla cuyos efectivos navales eran un infierno para las rutas comerciales o militares al servicio del tirano. En especial, aunque no eran una armada poderosa y sí de relampagueantes ataques y retiradas, eran letales cuando se les confiaba alguna misión de mayor envergadura, bajo el mando de la muchacha. La capitana Ira Dulamer, como ya se le conocía en todo el mar Urtor, era un puño de hierro que golpeaba con furia en las fuerzas del déspota Nitsau.
Valiente como cualquiera de sus hombres, diestra por igual en las artes marineras o en la esgrima, era respetada y temida incluso por los suyos. Generosa con los débiles y los derrotados, capaz de arriesgar la vida por salvar la de cualquiera de sus marinos, como había hecho en más de una ocasión hasta por el más humilde rebelde, era del todo intolerante con la indisciplina. Sus hazañas, al igual que sus castigos, iban de boca en boca en todas las Islas de Rojas. Pronto habría una suma por su cabeza, casi tan alta como la que el tirano ofrecía por su padre. Sus precios de caza, en los encuentros que tenían en la retaguardia, eran una perenne broma familiar.
En esta tranquila madrugada, Ira y su tripulación nadaban en total silencio hacia una nave enemiga. Esta se hallaba fondeada, con una abundante escolta de otros siete barcos, en la bahía de Rauni, una de las islas mejor fortificadas, y un poderoso enclave militar y rico puerto de Rojas.
Unos días antes, un pequeño paquebote de enlace había caído en manos rebeldes. Una carta al gobernador de Rauni avisaba de una importante visita del alto mando y demandaba crear condiciones de alojamiento y comida para una abundante tropa acompañante y varios jefes importantes. Ira, enterada del asunto y después de consultar con sus lugartenientes, concluyó, con más entusiasmo que certeza, que de seguro el sátrapa visitaría el bastión. Atacar una flota bien armada sería una locura. Aún más, después de la experiencia vivida con el poderoso galeón que casi les cuesta la vida. Sin embargo, intentar ajusticiar al líder enemigo en un atentado sorpresa, tenía más posibilidades de éxito a los ojos de los vehementes complotados.
Un detalle sostenía todo el razonamiento. Gad Nitsau tomaba innumerables precauciones con sus movimientos y viajes. Y cuando visitaba cualquiera de las islas o dirigía alguna de sus masacres represivas al frente de sus tropas, jamás pernoctaba fuera de su barco, que de noche permanecía alejado de los muelles y rodeado del resto de las naves de la escolta, además de contar con una guardia reforzada. De tal modo, conjuraba las posibles traiciones de cualquiera de los jefes de los clanes subordinados. Algunos de ellos, quizá embriagados ante el vasto imperio que fomentaba el dictador en toda Rojas, creería posible hacerse del poder con solo eliminarlo. El caudillo era un desconfiado nato.
La capitana aprovechó la coyuntura. Un par de sus marinos, vestidos como soldados, hicieron llegar la carta a Rauni. Muy pronto los preparativos, así como los refuerzos en las fortalezas del villorrio y la casa de gobierno, fueron notables para los espías que enviara Ira. Por aquellos días, su tropa se mantuvo muy tranquila, acampada en una oculta ensenada, esperando el paso de la caravana que llegaría sin falta. Por diversas vías también tendrían informes de que, ciertamente, muy encumbrados oficiales y poderosos personajes visitaban la casa de gobierno.
Ahora, acompañada de un poco más de un centenar de sus mejores hombres, Ira intentaría asaltar el barco principal de Nitsau y ajusticiar al tirano. Por eso nadaban en silencio, en medio de la negrura del mar de la bahía y alejados de las antorchas que hacían crecer esferas doradas en el reflejo de las tranquilas aguas del muelle. Sumergidos como sigilosos escualos, alcanzaron la embarcación que se balanceaba dormida, al centro de su abundante escolta.
Los débiles rayos de la luna, al rebotar contra las quietas aguas, silueteaban apenas la cabeza y los hombros de la guerrera. Flotando en absoluto silencio junto al centro del casco, la capitana hizo un gesto con la cabeza y una señal con las manos hacia ambos lados. El grupo estaba listo. Su tripulación se extendía como una línea por la banda de estribor, que ahora quedaba frente al horizonte, oculta a la vista desde el puerto.
La muchacha colocó entre sus dientes el terrible puñal de hoja curvada que llevaba y desató despacio una larga cuerda de su cintura. Entonces esgrimió el pequeño y cómodo garfio que le había forjado su hermana y, de un par de vueltas, lo lanzó hacia lo alto de la borda. De inmediato, sus hombres la imitaron. El ataque había comenzado.
Campos de caballos
O príncipe Azor de Versil, herdeiro do trono de Equianna, também precisa combater as potências escuras da sombra. O mal estende seus fios funestos e, buscando mais força para seus desígnios, golpeia com o punho negro de poderosas maldições. A bondade, a coragem e a lealdade terão de suportar encantamentos assustadores, e sobreviver a eles, para continuar lutando.
Trechos
Capítulo I
El rostro de Ira se había endurecido. Una pena adolorida lo recorría. Los demás guardaron un instante de respeto, sin interrumpir su recogimiento. La capitana levantó la vista y sonrió con tristeza. Por primera vez, los ojos feroces de la muchacha dejaron escapar un brillo húmedo, casi tierno, mas de inmediato se repuso.
–Después de la muerte de mi padre, seguimos la guerra. Supimos de Soltrán porque nos dedicamos a construir una red de espías por todas las Islas de Rojas. Casi pudimos capturarlo, pero escapó…
–Es que ustedes no podían saber cuáles eran en verdad sus planes –Azor miraba fijamente a la corsaria. Esta respondió con la misma sonrisa, menos triste y más dulce esta vez.
–Corrieron un gran riesgo –siguió diciendo el caballo–. Soltrán hubiera podido barrerlos. Solo que estaba muy ocupado en salir de allí…
–Hay algo que no entiendo bien –intervino Zoria–. Como maga, sé que cada hechizo requiere de gran poder de concentración. De fuerza y de conocimientos… Conocemos, Azor, que cada vez que se hace un encantamiento, se sabe de sus consecuencias y de su alcance. ¿Cómo pudo ese brujo conjurar un ensalmo que incluyera al Salgari y a su propio barco?
El caballo sacudió las orgullosas crines blancas. Para él también constituía un misterio lo ocurrido. Las demás estaban expectantes.
–Soltrán necesitaba llevarse su buque. En Reul hay unos pocos lagos, de manera que aún no iba directamente hacia el Adar a participar de la ceremonia. Antes estuvo en otro sitio, creemos que en este mismo mundo, pues ya hubo aquí una aparición de sus enmascarados… Eso lo obligó a desplegar mayor poder, y de paso trajo el navío de Ira consigo…
–Cuando ocurrió esa tormenta, el Salgari estaba muy cerca, estábamos a punto de abordarlo. Al final aparecimos aquí –señaló Ira.
–Por eso el conjuro arrastró también tu barco. Por eso, o por otras razones.
–¿Cuáles? –preguntó Zoria.
El corcel guardó silencio un instante. Su mente era un hervidero. Necesitaban pronto del tal Xilef Xarl y de sus conocimientos. Más que certezas, Azor manejaba innumerables preguntas. Aunque al menos una respuesta, despacio, como si una isla emergiera lentamente de un mar de dudas, comenzaba a salir a flote.
–Que Soltrán se haya equivocado. Que sea tan prepotente que sobrevalore sus fuerzas… O que en verdad él no sea tan poderoso como creemos…
Solo Zoria podía aquilatar el valor de esa afirmación. No, Soltrán no podía haber cometido un error tan simple.
–No se llega a ser Regente sin poderes verdaderos. Además, yo peleé contra él en el templo. Y tuvo fuerzas para intentar matarme con un conjuro...
–Que no funcionó, aunque le alcanzó para descubrir que eras una mujer. ¿No sabía ese brujo que en el Kentrom su magia podía ser neutralizada muy fácil, con solo usar un ensalmo protector como el que tú invocaste? ¿No me contaste que entró al más sagrado sitio del Octo sin demandar ningún permiso mágico, armado, en contra de las prohibiciones y protecciones del templo, y que tenía hombres a su mando que, a pesar de las guardias, de pronto entraron casi sin resistencia? ¿No te parece que a veces es muy meticuloso y otras lo violenta todo y es casi descuidado en lo que hace?
–Sí, lo que no entiendo es a dónde quieres llegar…
La maga calló nuevamente. La capitana y la vernara habían seguido el diálogo con interés, mas poco podían aportar en cuestiones de magia. El de la mirada verde volvió a sacudir las crines.
–Todavía no puedo afirmarlo, pero quizás Soltrán no es lo que parece. Si mis suposiciones fueran ciertas, no solo nos enfrentamos a algo infinitamente más poderoso que ese brujo, sino que… –el caballo dejó trunca la frase y paseó la vista por los rostros que rodeaban la mesa–. No tengo la menor idea de cómo podríamos vencer semejantes fuerzas…
Un denso desencanto pareció apoderarse del camarote. Únicamente la recia voz de Ira devolvió a todos a la realidad y les repuso un poco el optimismo.
–Pues ese escriba Xilef nos lo dirá –saltó enérgica la corsaria y de inmediato cambió el tono a una sonrisa–. Y ahora, querido Azor, creo que es el turno de tu historia.
–Un momento, por favor –alzó una mano la maga, como para detener cualquier acción y aunque estaba muy seria, antes de hablar intentó suavizar el tono de su voz–. Antes quisiera… Para mí es muy importante saber algunas cuestiones…
Azor la miraba con una expresión divertida jugueteando entre sus belfos. Con paciencia esperó a que la muchacha completara su pregunta, que podía imaginar con toda facilidad.
–Es evidente que entiendes de magia. Además, conociste a mi padre en circunstancias que todavía no sabemos. Tienes perfecta idea de los significados del Elum y no te son ajenas las tradiciones y las historias del Adar. ¿Puedes aclararme esos temas? Creo que será bueno saber.
–Es muy sencillo. Te lo diré de la manera más rápida –y la voz del caballo también parecía sonreír–. Soy un Regente del Adar. A tu padre lo conocí antes de esa fatal ceremonia, aunque sin saber que era el próximo Tredecim. Su visita a Equianna fue con carácter secreto, pues sabía, por aviso de Neprac, que algo se gestaba en contra del templo. Algunas pistas conducían a mi país y estábamos investigando…
La maga, aun cuando sospechaba algo, no pudo dejar de sorprenderse. Azor continuó sus palabras.
–De hecho, al superar mis pruebas y ser aprobado por la Docena, fui también discípulo del maestro Reit Neprac. Fue él quien le dio mi nombre a tu padre. Cuando estuvo en Equianna, me contó los detalles que te dije acerca del Escudo de Valnúss y de la existencia del escriba Xilef Xarl, en Fe Mondalia. Es una pena que, a pesar de que tuve al mal muy cerca, no logré descubrirlo a tiempo… Cuando intenté detenerlo, ya era demasiado tarde…
El tono había dejado de ser sonriente. Una apenada calma invadió a Azor. La maga, por su parte, ahora casi tenía más preguntas que antes. Sin embargo, un detalle, tan visible que justo por eso pasó por alto todo el tiempo, la asaltó de inmediato. Solo que era una idea muy indiscreta y al instante tuvo vergüenza de sí misma por siquiera pensarlo. ¿Cómo podría ser mago un caballo? ¿Cómo no lo notó antes?
Azor pareció leer sus pensamientos. Lejos de molestarse, aunque había recuerdos terribles detrás de aquella historia, su voz respondió tranquila.
–Zoria, no siempre fui como ahora. Te dije que era el último heredero del trono de Equianna. Soy descendiente directo de Trys de Versil, el fundador y primer rey de mi pueblo. Y tuve antes mucho que ver con los caballos, como otros en mi país, pero no tanto como para desear ser uno.
–Perdona, Azor, no he querido para nada ofenderte. Es que solo ahora descubro que, desde que te conozco, jamás me asombré por tu aspecto. Es obvio que eres alguien muy especial y por eso no reparé en lo inusual de hablar con un caballo. De hecho, nunca supe de un hechicero que se atreviera a intentar semejante conjuro de conversión animal. Muchas veces escuché decir que tales ritos eran nada más que historias para asustar a los niños…
–Pues son muy escasos, muy complicados, y, por desgracia, ciertos. Por lo general, en los poquísimos textos que hablan de actos tan horribles, se recalca que es casi imposible que den resultado.
–¿Y eso por qué, necesita de mucho poder el mago? –preguntó Ira, no muy relacionada con asuntos mágicos, en tanto observaba al corcel.
Azor hizo silencio. Miró a la capitana y a Sedna, que no perdía detalle de la conversación. La maga tenía los ojos puestos en una de las esquinas de la alfombra, mientras se estrujaba las manos con rabia y dolor. Ella sí podía imaginar la respuesta. El caballo terminó la idea.
–Hace falta poder, mi querida capitana, pero no es lo más importante. Cualquiera puede intentarlo, si se atreve y tiene los conocimientos. No es una cuestión de fuerzas o capacidades, sino de mucha maldad. Jugar con la vida, intentar transformarla, lleva aparejado invocaciones muy oscuras. Y por lo general no dan resultado, porque casi siempre el embrujo provoca la muerte. Mi enemigo quiso probar solo un par de argumentos. Uno, las potencias mágicas que ha sido capaz de desarrollar. Y dos, su total y absoluto desprecio por la vida. Más, si esta se interpone en sus planes.
–¿Entonces, fue Soltrán? –murmuró despacio la corsaria, otra vez con un brillo húmedo y feroz en su mirada, ahora mezcla de pena y odio.
–Sí, aunque empiezo a sospechar que con alguna ayuda que no sabemos.
De nuevo el silencio reinaba en el camarote. Las revelaciones de Azor eran espantosas. La propia capitana retomó la iniciativa y habló con rapidez.
–Pues, aún así, no le funcionó el hechizo. Tú eres un caballo muy inteligente y muy hermoso…–y de un gesto que intentaba borrar sus propias afirmaciones, incitó al corcel–: Y ahora cuenta, que queremos escucharte...
Los cuatro talismanes
Só com a sabedoria e os conselhos do Escriba, os talismãs enfim reunidos e o poder do Escudo de Valnúss recuperado, será possível combater a terrível ameaça desencadeada pelo mal. Se o inimigo conseguir seus intentos, todos os mundos que o templo de Adar guardava um dia estarão perdidos sob a sombra. As forças do bem estão prestes a travar sua batalha mais desesperada.
Trechos
Capítulo VII
Para las divinidades, fueran del bien o del mal, era imposible aparecer en los mundos que habían creado. Solo en sueños, en profecías, en los mitos, los dioses podían ayudar a sus protegidos. Cuando los Malignos intentaron, por envidia, destruir aquellas creaciones de los Doce Dioses, descubrieron que ellos tampoco tenían modo de llegar a esos mundos. Entonces, dieron sus propias sangres, crearon el Morsfolia, ese endemoniado mensaje de la oscuridad donde escribieron sus memorias, donde están todos los conjuros del ayer, del hoy y del futuro. Y sobre todo, escribieron los pasos necesarios para que pudieran volver a la sombra y retomar sus poderes, una vez derrotada la luz. Ese pergamino, en algún sitio que ignoramos, flota a la espera de que el mal pueda leerlo y traiga de vuelta a sus horrendos maestros.
Entonces, se dispersaron por el tiempo de hombres y mujeres. Hallaron la manera de llegar hasta aquellas criaturas, convertidos en la mentira, en el odio, en la discriminación, en la violencia, en el ansia de riquezas y de poder, en la guerra y el miedo, en el irrespeto a la tierra, a los mares, a las plantas y animales. Muchos humanos se doblegaron, perdieron ese regalo del bien que era la capacidad de amar, y se entregaron a los designios del mal y la muerte. Uno de esos humanos envilecidos, al que prometieron poderes y riquezas infinitas y colmaron de aterradoras fuerzas mágicas, se alzó como el campeón de los Señores Tenebrosos. Este sanguinario y cruel hechicero tenía la misión de dirigir las fuerzas de las tinieblas contra la humanidad. Así surgió Honel de Celor, un caudillo brutal que sembró el odio y la destrucción a su paso.
Los Doce Dioses vieron que lo oscuro se tornaba cada vez más eficaz. Sabían que habría una guerra terrible, pero era el único modo de salvar a la luz. En el País de Reul, en un pequeño villorrio de campesinos nombrado Valnúss, una joven pidió ayuda para su pueblo. Pronto serían cercados por las huestes de Honel. La muchacha, una chica llamada Noia, en una plegaria, ofrecía su juventud y su propia vida a cambio de que su pueblo y sus padres fueran salvados. Sobre una olla blanca, quemaba su nombre como ofrenda. Entonces, los Doce decidieron sacrificarse por sus creaciones. Cada uno entregó la más poderosa y pura de sus virtudes y las hicieron llegar a los humanos. Esa noche, en un sueño que cantarían los juglares durante los milenios siguientes, los mensajeros de la luz respondieron sus ruegos a la chica y ungieron de las fuerzas y potencias del bien a doce nobles guerreros, que conducirían los ejércitos de sus mundos amenazados. De inmediato, estos invocaron los hechizos y leyendas que les fueron revelados y partieron rumbo al lugar donde sería la batalla.
Pero antes, con sus almas y carnes, los Dioses crearon el más poderoso talismán para detener a la sombra. Así surgió El Escudo. Al amanecer, cuando Noia despertó, colgado en la pared junto a la cabecera de su cama estaba el extraordinario regalo. La chica había crecido, en su alma y su brazo anidaba el ímpetu de los más arcanos protectores de la vida y la luz. La niña se había convertido en la guerrera que empuñaría la reliquia y que guiaría las tropas del bien. En honor a su pueblo, por el que pidió sacrificarlo todo, bautizó la dádiva como el Escudo de Valnúss.
Apenas llegó la noche, justo a las doce, las hordas de Honel se lanzaron al ataque. La batalla, que duró doce soles y doce sombras, ensangrentó los campos de Valnúss. Tanto que sus tierras, salvo en el invierno, han seguido siendo rojas en lo adelante. Pero al fin el mal fue derrotado.
En la pelea que la enfrentó al hechicero, Noia pudo cortarle las manos. Al sentirse herido, Honel de Celor invocó la protección de Los Malignos y se convirtió en un terrible espectro. Sin embargo, la luz del amanecer, reflejada en el Escudo, lo hizo cegar y quedó por completo indefenso.
Noia lo encerró en una profunda sima y para evitar que escapara, o que pudiera ser rescatado por alguno de los muchos de sus seguidores que sobrevivieron al combate, puso encima el propio Escudo de Valnúss. Por cada uno de los puntos cardinales colocó un Sello de los Elementos. Son cuatro. Hechos, uno con agua, otro con fuego, un tercero con viento y el último con tierra. Y en el centro, se rasgó su propia carne y derramó su sangre, mientras pronunciaba un conjuro que clausuraba para siempre aquella prisión. Solo otra guerrera, con su sangre, podría entonces volver a abrir la celda del demonio.
Era preciso impedir que el déspota brujo pudiera escapar y tratara de hallar el Morsfolia que regresaría a los Señores Tenebrosos. Para mantener encerrado a Honel era necesario también preservar el secreto de la ubicación de su calabozo. Entonces se decidió construir sobre la propia celda un templo y constituir una orden que guardara las fuerzas mágicas de este lugar y a la vez custodiara al prisionero.
Así surgió el templo Adar. Allí se guardaron los secretos caminos para viajar entre los mundos. A la muerte de Noia, se constituyó la Docena, en honor a las tantas deidades del bien y a los guerreros que lucharon por sus mundos. El Mago Trece, el líder, representaría a la chica que los guiara. Desde entonces, por medio del Pulfario, aquella olluela donde la muchacha quemara su nombre como ofrenda, desde el voto de la magia y siguiendo un ritual que iniciara la propia Noia, se elegiría quién sería el Tredecim.
Además, se hicieron cuatro talismanes para cuidar la seguridad de la cárcel donde estaba el espectro. Cada uno de ellos representaba una de las fuerzas primigenias de la naturaleza, con las cuales se sellaba la celda del mal. Así surgió el Elum, que guardaría el fuego y que llevó consigo la propia Noia y que luego tomó el primer sucesor al frente del Adar. La piedra negra, el Alazzabag, custodiaría el sello hecho de la tierra. El Argento, una herradura de plata, con siete clavos de esmeralda cruzada por una metálica ráfaga, abriría el sello del viento. Y la Solaster, una estrella marina atravesada por una corriente, tendría la llave del agua. Cada uno fue construido y entregado en secreto a los cuatro líderes más sabios y nobles de los ejércitos que pelearon junto a Noia.
Por eras completas, los seres humanos han guardado, perdido y hallado estos amuletos. Por encontrarlos, por poseerlos, ha habido guerras, engaños y muertes. Las fuerzas del mal nunca se dieron por vencidas. Pero, también, por protegerlos, ha habido personas dispuestas a luchar, a sacrificarse, a dar incluso hasta sus vidas. Por eso el bien no ha podido ser derrotado. Solo ahora, después de mucho tiempo, ha sido posible reunirlos nuevamente.
Soltrán Sauort busca intentar liberar a Honel de Celor. Y aunque mientras no tenga en su poder el modo de romper los cuatro sellos, no debe lograr nada, es muy peligroso que lo siga intentando. Porque tal vez el mal encuentre alguna otra vía. Ustedes, sin siquiera conocer del todo estas historias, o el verdadero valor de cada una de estas reliquias, han logrado unirlas y traerlas de nuevo a las manos del bien. Por eso, aún hay una esperanza.
Imprensa
Ficha
- título
- El Escudo de Valnúss (O Escudo de Valnúss)
- gênero
- Fantasia
- editora
- Editorial de la Mujer
- ano
- 2015
- formato
- Caixa de cinco volumes
- capa
- Ilustração de todas as capas e da caixa: Rainel Cabarroi
- direitos
- Disponível para edições e traduções fora de Cuba. Consultas de direitos · derechos@antoniolopezsanchez.art